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Candidato a líder nacional abre campanha em sessão de esclarecimento em Vila Verde

 

A grave crise social e económica, numa altura em que o governo se encontra extremamente fragilizado, levou o País para uma situação insustentável. É, por isso, que o eurodeputado Paulo Rangel considera que não pode virar a cara ao desafio para assumir uma candidatura à liderança do PSD, numa corrida que conta com ainda com as candidaturas Pedro Passos Coelho e José Pedro Aguiar Branco.

Numa sessão de esclarecimento do Partido Social Democrata em Vila Verde, Paulo Rangel – com o eurodeputado José Manuel Fernandes na linha da frente no apoio à sua candidatura – explicou a importância de provocar “a ruptura”, de forma a libertar as gerações futuras dos efeitos devastadores dos últimos 15 anos de governação socialista, sob a liderança de José Sócrates.

Quanto ao presente, esse já está hipotecado pela actual situação de endividamento excessivo e fragilidade económico-social do país, com repercussões extremamente negativas na sociedade portuguesa, como é o caso “do desemprego, do agravamento da pobreza, da situação dos pensionistas e da deterioração da qualidade de vida da classe média”. Situação que “o Entre Douro e Minho sente e conhece melhor que qualquer outra zona do País”, como reconheceu o eurodeputado socialdemocrata.

“Não é aceitável q ue as gerações futuras estejam hipotecadas e absolutamente servas de uma dívida feita por outros de forma irresponsável. Hoje, se olharmos para as perspectivas de Portugal num espaço de 20 anos, as soluções que nos restam são duas: ou ficar cá e ser escravos da dívida portuguesa, trabalhando para pagar as dívidas do que se fez nestes 15 anos. Ou, em alternativa, emigrar”, alertou Paulo Rangel.

No auditório completamente cheio na Escola Profissional Amar Terra Verde, Rangel – que encabeçou a candidatura que venceu as últimas eleições europeias – precisou ainda que, entre os portugueses que optarem por sair do País, “os que são de classes altas vão estudar para as universidades estrangeiras e ser cidadãos do Mundo Global”.

Em contrapartida, quem for de estratos sociais mais baixos “vai trabalhar na construção civil ou na restauração, mas vai com certeza viver lá fora, para não ter de pagar a dívida que outros fizeram aqui irresponsavelmente”, como frisou Paulo Rangel, que recebeu em Vila Verde o apoio do deputado nacional Miguel Macedo, numa sessão em que marcaram presença figuras de vários pontos do distrito, a par dos líderes concelhios de Vila Verde, liderados por António Vilela.

Como estratégia de governação, Paulo Rangel explicou que “a nossa gigantesca tarefa é libertar o futuro. Isto é: devolver às gerações futuras (de 2020, 2030, 2040) a liberdade de serem senhoras do seu destino e poderem viver e construir num país com progresso económico, equidade social e que premeia quem trabalha e se esforça”.

“Não há horizontes no nosso país para criar empresas, emprego, dinamismo, esperança, empreendedorismo, valor económico”, protestou o candidato à liderança do PSD, face a um governo socialista “desautorizado, sistematicamente envolvido em suspeição, sem capacidade de ser motor para enfrentar esta situação tão difícil”.


Críticas de Vila Verde ao centralismo

A sessão de esclarecimento promovida pelo PSD de Vila Verde contou com mais de duas centenas de pessoas. Para além dos dirigentes locais, liderados pelo presidente da Câmara e da concelhia do partido, António Vilela, marcaram presença no evento o deputado Miguel Macedo, o director do IPCA Agostinho Silva (Esposende), os ex-presidentes de Câmara de Terras de Bouro António Afonso e José Araújo, o presidente da Assembleia Municipal de Barcelos, Costa Araújo, o amarense João Januário e dirigentes concelhios de Famalicão.

A abrir a sessão – perante uma mesa com o líder distrital Virgílio Costa, o presidente do plenário concelhio Manuel Nogueira e o presidente da JSD/Vila Verde Marco Escadas –, António Vilela vincou o tom crítico em relação à actual gestão governativa de maioria socialista, destacando o centralismo da administração pública e a discriminação regional do plano de investimentos para 2010 (PIDDAC). Razões que fundamentam a opção por uma nova liderança no PSD, capaz de corrigir e até mesmo provocar a ruptura com a governação socialista.

Antes de um período de perguntas e respostas com Paulo Rangel – que se fez acompanhar dos eurodeputados José Manuel Fernandes e Graça Carvalho –, o líder da JSD, Marco Escadas, interveio em defesa de políticas que devolvam a esperança e a confiança às gerações mais novas, face aos problemas agravados pelo governo de José Sócrates no contexto da actual conjuntura económica e social.

Afastar administradores e moção

No âmbito do processo de investigação judicial Face Oculta e da alegada tentativa do executivo de José Sócrates tentar controlar a Comunicação Social, Paulo Rangel defende o “afastamento dos administradores” da PT nomeados pelo Governo e implicados no processo.

Para Paulo Rangel, "a bola está do lado do Governo e não está do lado da oposição", considerando que "é urgente o afastamento dos dois administradores da PT que são nomeados pelo Estado", referindo-se às notícias publicadas sobre o caso Face Oculta.

"Seja qual for a verdadeira história, depois das alegações graves que estão patentes na opinião pública, os administradores nomeados pelo Governo para a PT não têm condições objetivas para exercerem com credibilidade a representação dos interesses do Estado nesta empresa", realçou o candidato à liderança do PSD.

Por outro lado, Rangel recusa a ideia de uma imediata moção de censura, face ao desenrolar dos acontecimentos envolvendo José Sócrates e o Governo em alegadas tentativas de controlo dos media.

Em Vila Verde, o c andidato a líder do PSD explicou que a “exigência” avançada pelos socialistas Ant ónio Costa e de Capoulas Santos de que a oposição deve propor uma moção de censura “é uma forma muito hábil, uma forma subtil e encapotada que o PS encontrou de exigir explicações ao Governo".

Em declarações à Lusa, Capoulas Santos considerou que há uma "tentativa de decapitação" do primeiro ministro, José Sócrates, e desafiou os partidos da oposição a apresentarem uma moção de censura ao Governo.

"O próprio PS sente que o Governo tem que dar explicações, porque estes dirigentes nunca pediriam meios tão graves se não achassem que a situação é grave", ripostou Paulo Rangel.

Candidaturas até ao fim

Os candidatos à liderança do PSD Paulo Rangel e Aguiar-Branco afastam a possibilidade de desistirem das suas candidaturas, recusando corresponder ao apelo a um entendimento feito pelo presidente do Instituto Sá Carneiro, Alexandre Relvas.

Em Vila Verde, Paulo Rangel colocou de lado um recuo na sua candidatura e argumentou que existem "mais diferenças entre a sua proposta e as outras do que entre as outras duas [Aguiar-Branco e Passos Coelho]".

"Enquanto as outras candidaturas estão numa lógica pessoal e de continuidade, a minha está numa lógica de rutura", afirmou, considerando que tal não divide o eleitorado do PSD.

Aguiar-Branco garantiu, por seu turno, numa entrevista na TVI, que vai levar a sua candidatura “até ao fim”, embora concorde com Alexandre Relvas.

Questionado sobre se deveria ser Paulo Rangel a desistir, Aguiar-Branco respondeu que essa era a “conclusão” do seu raciocínio.

O líder da bancada parlamentar do PSD afirmou também que “a PT deveria convocar uma assembleia geral extraordinária”, enquanto Rangel defendeu a demissão dos dois administradores da empresa designados pelo Estado.

O presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro, Alexandre Relvas, apelou no domingo aos candidatos à liderança do PSD Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco para que ultrapassem eventuais divergências e se juntem numa única candidatura.

“Apoio a candidatura de José Pedro Aguiar-Branco, mas neste momento não posso deixar de apelar para que quer ele, quer Paulo Rangel estejam à altura do momento histórico que vivemos, colocando o interesse nacional acima dos interesses pessoais e consigam um entendimento que permita ao PSD apresentar-se ao país unido, com um líder forte e com a credibilidade necessária para ser uma alternativa de esperança”, declarou Alexandre Relvas.

O ex-secretário de Estado do Turismo e ex-diretor da campanha presidencial de Cavaco Silva argumentou que “seguramente não há diferenças significativas entre os respetivos programas”.

“Ninguém perceberá - os militantes do PSD e os portugueses - que, num momento em que é fundamental para o país um PSD unido”, Rangel e Aguiar-Branco “não consigam ultrapassar eventuais divergências, estabelecendo um acordo que será inquestionavelmente uma prova do valor que atribuem ao interesse público”, considerou o empresário.

“É decisivo que o próximo líder do PSD tenha capacidade para ser primeiro ministro e para apresentar um programa político que renove a esperança”, acrescentou o conselheiro nacional social democrata.

No entender de Alexandre Relvas, “quer José Pedro Aguiar-Branco, quer Paulo Rangel correspondem a esse perfil”, e por isso apelou ao eurodeputado e ao líder parlamentar do PSD “para que unam esforços para apresentarem um programa conjunto e uma candidatura única”.

Autor: Terraimagem | 2010/02/18

In -> Terras do Homem